
Em relação ao leite é importante estabelecer em primeiro lugar que nós somos os únicos mamíferos que, após a fase de amamentação, continua a beber leite, ainda por cima de outra espécie. Nem as vacas consomem o seu próprio leite (os bezerros são alimentados com leite materno até aos 6-8 meses). Desde uma perspetiva evolucionista, os nossos antepassados apenas consumiam leite materno e este sim tem um conjunto de nutrientes essenciais ao nosso desenvolvimento e à nossa imunidade. Agora, o leite de vaca pasteurizado tal como o conhecemos e consumimos hoje em dia (o processo de pasteurização mata as enzimas presentes no leite e destrói os potenciais nutrientes benéficos do mesmo, como os minerais, vitaminas e aminoácidos) tem muito pouco valor acrescido se consumido com regularidade. Ainda a industria láctea utiliza métodos de produção de leite injetando hormonas animais nestes animais para aumentar a rentabilidade na produção de leite em grande escala. Estas hormonas animais quando ingeridas através do leito por humanos, causam estragos devastadores em nossos organismos, quando sem percebemos aumentamos de peso, desenvolvemos doenças degenerativas, e desregulamos todos os hormônios por conta de outros que não são utilizados por humanos e sim por animais. Não contentes com o uso de hormonas animais na produção do leite, muitas industrias utilizam-se da inseminação artificial sem a introdução do sémen. Isso significa que o animal entende por ter uma gravidez e consequentemente vem a produzir mais leite. Entretanto após algumas semanas, pelo fato da não existência do sémen, o animal deixa de produzir a quantidade de leite que vinha produzindo. Então o homem faz com que o animal venha a continuar a larga escala de produção e continua corriqueiramente a pratica da inseminação artificial sem sémen, induzindo ao novo aumento da produção de leite. Este processo causa mastite nos animais e o homem tem que recorrer ao uso de antibióticos animais para prevenção destas doenças. Assim nós humanos quando consumimos este leite estamos ingerindo altas quantidades de antibióticos animais no corpo de humanos, que não sabemos como eliminá-los e veem a causar danos irreversíveis a saúde humana, como o aparecimento de várias doenças ou intolerâncias alimentares.
Na verdade, o consumo de leite está associado a muitas patologias decorrentes de um estado de inflamação crónico, que vai desde a intolerância à lactose (podendo causar náuseas, vómitos, diarreia, flatulência), à resistência à insulina (apesar de o leite e derivados serem alimentos com uma carga glicémica baixa, o seu efeito na libertação de insulina é muito grande, podendo causar vários problemas de saúde tais como obesidade, diabetes, hipertensão, aterosclerose, alguns tipos de cancro e doença de Parkinson), até ao desenvolvimento de doenças autoimunes tais como esclerose múltipla, artrite reumatoide, diabetes tipo I e II. Portanto a qualidade do leite que se bebe actualmente é muito fraca e aparenta ter mais riscos que benefícios. Agora, cada pessoa reage ao leite e seus derivados de forma diferente, o meu conselho é que estejam atentos a esses sinais e cada um tem livre arbítrio para cuidar ou não de sua saúde.
Em relação à questão do cálcio no leite e à necessidade que se impõe beber leite por causa do cálcio, para manter os ossos fortes, é importante perceber que a taxa de absorção de cálcio nos lacticínios é mínima, comparada com o cálcio dos alimentos verdes como as couves e brócolos por exemplo e ainda que os nossos ossos precisam de outros nutrientes como o magnésio, vitamina D e vitamina K para uma saúde óssea ideal e a própria absorção o cálcio. Portanto, o consumo de cálcio por si só, não vai aumentar a absorção de cálcio, se não for tomado em conjunto com este tipo de nutrientes. Aliás, se a nossa dieta for demasiado ácida a excreção de cálcio através da dieta vai ser aumentada, o que é mau para nós. Pelo contrário, se a nossa dieta for mais alcalina com a ingestão de mais verduras, menos açúcares e menos alimentos processados, o nosso corpo vai absorver o cálcio que precisamos para prosperar. Finalmente, acho ainda importante referir que os homens do Paleolítico, apesar de não beberem leite após a amamentação, apresentavam uma densidade mineral óssea igual ou superior à de actuais adultos saudáveis e ativos. Pesquisas (especialmente americanas) comprovam que países que tem alta ingestão de leite à alimentação estão mais propensos a osteoporoses e fraturas em relação a países que tem baixo consumo de leite. Espero que tenha ajudado. Recomendo que assistam o vídeo abaixo.